Finalmente... depois de 3 anos... uma carta ao meu filhote...
Era madrugada, 19 de outubro de 1998.
Estava eu, naquela sala de espera da maternidade, apreensivo, ansioso, terminando de roer as poucas unhas que me restavam nas mãos trêmulas.
Uma após outra, enfermeiras passavam com bebês, e eu olhava para cada uma delas, procurando por você. A cada chorinho agudo que eu conseguia ouvir ao longe, já imaginava... será esse o meu? Será esse o choro do meu filho?
Essa bendita ansiedade, que misturada ao tempo que também não passava, insistia em permanecer.
Não demorou muito mais, e chegou seu avô Marcos, que trouxe de carona sua avó Arlete e sua titia Kika. Engraçado, mas todos até pareciam mais nervosos do que eu, que estava com o pensamento bem distante, voando até você e sua mamãe lá naquela sala de parto.
Minutos que pareciam horas... Horas que pareciam séculos...
Mas...olha...olha lá... estão chamando a gente!
Então vejo uma enfermeira sorridente... que me pergunta:
- Sr. Marlos?
- Sim?
- Esse é seu filho!
E lá estava você filhote: radiante, com a carinha toda amassada.
Eu não sabia o que fazer primeiro... Segurei você, estava ainda um pouco sujinho de sangue... e te disse:
- É o papai filho!
Depois passei você pro seu vovô, que te deu um abraço, e em seguida pra sua vovó Arlete e a Kika. Todos te seguraram um pouquinho e depois entregaram pra enfermeira. Então finalmente tirei algumas fotos suas sendo amparado pela enfermeira.
Naquele momento todos estavam ali pra te ver... Você era o ASTRO, meu filhote Rockstar num instante tão importante e mágico!
Infelizmente então, tivemos que ir embora, pra deixar sua mamãe, que estava exausta, e você descansarem um pouquinho... afinal foi uma luta filhote, a luta da sua vinda a esse mundo.
Mas chegou o dia seguinte, e o papai foi lá de novo... te segurar, te ver peladinho, ver você mamar... aliás...nunca vi na vida um bebê com tanta fome.
Depois, além de tudo isso, fui até o cartório te registrar, oficializar o lindo nome que eu e sua mamãe tínhamos escolhido pra você: ADRIEL HENRIQUE.
Filho, o tempo já se passou, e hoje você tem 10 anos. É meu rapazão, meu grandão!
Nem preciso citar pra você quantos e quantos erros o papai cometeu nesses anos todos. Acho que essa é uma fase que prefiro esquecer, e quem sabe continuar aprendendo com tudo o que fiz de errado. Sempre desejei ter você pertinho de mim, mas nem sempre consegui fazer com que isso fosse possível.
No ano passado,lembra? Nós dois choramos ao telefone... de saudade um do outro, do arrependimento que o papai sentiu. A distância era de 250km, mas parecia até que não existia nenhuma. Depois disso lembro do abraço que você me deu, quando fazia uns 10 meses que a gente não se via. Certas coisas e certos momentos não se esquecem filhote.
Essa carta é pra te dizer filho, que eu sempre vou amar você, não importa onde eu esteja ou onde você esteja. Parece que as situações da vida sempre fazem com que fiquemos longe um do outro. Acho que nunca vou entender isso, mas tenho certeza de que Deus sempre tem algo bom e perfeito planejado pra nós, por mais que não sejamos capazes de entender o que acontece nesse minuto.
Provavelmente quando você já estiver falando com a voz um pouco mais grossa, onde perderá parte dessa inocência e ingenuidade de criança,quem sabe eu vá ouvir ao telefone essa voz modificada, pela primeira vez... Não sei mesmo filhote, mas sei que eu queria estar lá pra ver, sei que queria estar lá pra poder curtir um som com você, ou quem sabe pra conversar sobre seus sonhos?
Mesmo que o tempo e o espaço jamais sejam os mesmos, nunca esqueça desse papai que te ama tanto.